Domingo, 19 de Julho de 2009

Leitura crítica da dissertação sobre blogs como estratégia motivadora para o ensino de escrita na escola

Apresento aqui uma leitura crítica da dissertação de Mestrado da professora Cláudia Rodrigues à luz do livro Elementos básicos de pesquisa, de Sérgio Luna. Minha leitura foi feita por interesse genuíno no tema e na experiência vivida pela professora e para realizar uma atividade de Pesquisa Educacional, uma das disciplinas do curso de Mestrado em Educação, PUC-Rio.
Você pode ler a dissertação na íntegra aqui.
A escolha dessa dissertação ligada à área de Linguagens e Tecnologia se deu pelo meu interesse, como professora de Língua Portuguesa, em pesquisar a entrada e o uso das TICs no processo ensino-aprendizagem na sala de aula.
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Uma atividade proposta como o blog, por exemplo, favorece a interação em sala de aula, considerando que passa a ser uma estratégia que une o texto do aluno e troca de informações com colegas – já que os textos passam a ser públicos, e não mais lidos por uma única pessoa; como no caso de Juliana (13), que reclama de o texto ser escrito apenas para ser lido e avaliado pelo “corretor”. Isso evita que, no debate em sala, o professor faça apenas um monólogo oral, e os alunos sejam meros ouvintes. Isso impede também que o professor se limite a oferecer subsídios para os alunos construírem seus textos listando argumentos, anulando a possibilidade de uma troca de informações ou negociação de sentidos, e muito menos da participação dos alunos. Em outras palavras, ao abrir a discussão em um ambiente mais amplo, fora de aula, o professor perde o controle sobre modelos argumentativos prontos e o aluno ganha novo espaço para participar da exposição de dados e opiniões. (2008, p. 79)
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A análise será exposta seguindo dez questões adaptadas do livro de Luna.
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Questão 1
O problema de pesquisa está claro, isto é, o autor apresenta um conjunto de perguntas que se pretende responder, e cujas respostas mostrem-se novas e relevantes teórica e socialmente?
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Cláudia Rodrigues apresenta claramente o problema de sua pesquisa que se baseia em um ponto novo e relevante para o processo ensino-aprendizagem na atualidade: o uso de “Internet como fonte de pesquisa e como ambiente que propicia novos modos para a construção de cultura e comunidades”. (2008, p. 24) E isso parte de uma inquietação profissional crescente, por trabalhar em um ambiente escolar privilegiado (escola particular com grande disponibilidade tecnológica), sendo que pouco ou nada é aproveitado por seus colegas de trabalho, a não ser para fazer apresentações em Power Point.
A partir dessa inquietação, ela centra seu estudo em duas questões mais amplas que serviram como “pano-de-fundo” para definir as perguntas de sua pesquisa. São elas: 1) “Quais são os critérios de utilização do blog?” e 2) “Como o blog poderia ser uma estratégia motivadora para o ensino de escrita na escola?”
De acordo com suas percepções, desenvolve o seu estudo empírico para responder às perguntas específicas da pesquisa: 1) “O uso do blog como tarefa de sala de aula favorece a prática de produção?” e 2) “Quais são os entraves e as alternativas que o professor de língua portuguesa precisa confrontar quando inclui o blog em sala de aula?”.
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Questão 2
Como o autor determinou as informações necessárias para encaminhar as respostas às perguntas feitas?
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A pesquisadora desejava entender como o processo de inclusão digital, por parte de professores e alunos, poderia favorecer a prática pedagógica e incentivar e favorecer a aprendizagem da escrita de forma ainda não explorada nas práticas escolares. Julgou, dessa forma, que o desenvolvimento de uma atividade prática em um meio comum aos alunos atuais pudesse responder a algumas de suas inquietações. Para isso, ela volta à literatura para ver o que se tem a respeito de linguagem e tecnologia e desenvolve uma pesquisa empírica com seus alunos de Ensino Médio.
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Questão 3
Como foram selecionadas as fontes dessas informações? Qual é o tipo de pesquisa selecionado?
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Cláudia Rodrigues, a partir da escolha da ferramenta por considerá-la favorável ao desenvolvimento da escrita, pesquisou sobre as possibilidades de uso de blogs para caracterizar um perfil de blog cujo formato fosse próprio para aplicação e desenvolvimento da pesquisa escolar. Baseou-se em pesquisas realizadas por Linguistas como Komesu, Braga, Xavier, Marcuschi e Araújo que vêm desenvolvendo estudos que tratam sobre linguagem e tecnologia, alguns no ambiente escolar.
A partir de conceitos apresentados por esses pesquisadores, Rodrigues buscou entender a importância de olhar/investigar o contexto escolar. A autora assumiu a metodologia da pesquisa-ação pelo seu caráter de “reflexão-na-ação” (2008, p. 82). Segundo ela, fez isso “por acreditar que é um processo em que os pesquisadores e participantes da pesquisa, conjuntamente investigam sistematicamente os dados e fazem perguntas com o intuito de solucionar um problema imediato vivido pelos participantes”. (2008, p. 22)
A fim de verificar a hipótese de que a escola está distante na prática das experiências de produção textual produzidas no meio digital, meio este pertencente à atual sociedade, a autora parte primeiramente da análise dos parâmetros de ensino que legitimam o ensino de redação em sala de aula e depois desenvolve o experimento. Sempre como “professora-pesquisadora e professora-participante”. (208, p. 83)
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Questão 4
Quais as técnicas e instrumentos selecionados para obter as informações? Comente sua adequação.
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Como sua intenção é obter conhecimento sobre como a inclusão digital, por parte dos professores, pode aperfeiçoar a prática de ensino, Rodrigues propôs desenvolver uma tarefa com a ferramenta digital chamada blog em suas seis turmas de Redação do Ensino Médio, na primeira tentativa, e apenas com quatro turmas (duas de segundo ano e duas de terceiro) na segunda tentativa. Utilizou, para registrar suas observações, um “diário de bordo”. Coletou dados por meio de questionários semi-estruturados (constam do anexo da dissertação), passados a alunos do terceiro ano do Ensino Médio, por acreditar que eles teriam maior capacidade de fazer uma análise crítica do processo que estava sendo desenvolvido, já que esse tipo de avaliação já é desenvolvido no terceiro ano, pela instituição em que trabalha. E propôs temas de redação que questionavam o porquê de a primeira tentativa feita ter falhado: “No presente estudo, busquei resgatar a voz de meus alunos através de uma tarefa de produção textual que tinha por tema o ensino da escrita na escola”. (2008, p. 66)
Acredito que a autora percorreu corretamente os caminhos necessários para tirar as conclusões sobre suas questões. O fato de ter passado por duas experiências de construção de blogs: uma primeira, negativa; e outra, positiva – com análise crítica criteriosa das duas – deu maior credibilidade à sua pesquisa, pois mostra um acerto, a partir da percepção das falhas de um experimento anterior.
Portanto, os instrumentos utilizados foram bastante adequados para o desenvolvimento do trabalho e credibilidade dos resultados.
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Questão 5
Como foi feito o tratamento dos dados obtidos? Comente sua adequação.
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Rodrigues passou por duas experiências em relação à inclusão de blogs na prática da sala de aula. A primeira, frustrante; a segunda, promissora. No capítulo 5 de sua dissertação, ela faz a análise dos dados, a partir dessas tentativas, e procura responder, com sucesso, às duas perguntas elaboradas em sua pesquisa.
A autora analisou primeiramente as anotações de suas observações, bem como os relatos de suas inquietações. A partir daí, criou algumas hipóteses que geraram a temática da produção textual proposta aos alunos. Com as redações em mãos, Rodrigues pôde detectar seus erros e compreender as falhas existentes na primeira proposta.
A percepção de que a primeira tentativa não estava indo como esperava e a criação de tema de redação para que se respondessem as suas dúvidas sobre o fato de não estar dando certo a proposta foi muito interessante. Mostra que a autora estava o tempo todo refletindo sobre o estudo e atuando como professora-pesquisadora-reflexiva, capaz de, a partir de um fracasso, reorganizar suas inquietações e criar uma nova situação para dar continuidade à pesquisa.
Na segunda tentativa (chamada por ela de “estudo 2”), Rodrigues já soube como desenvolver mais adequadamente a empiria, de acordo com o público alvo. Dessa forma conseguiu realizar a pesquisa e atingir os seus objetivos, obtendo respostas às perguntas feitas.
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Questão 6
Que teoria ou princípios teóricos foram usados na interpretação das informações obtidas (dados)? Comente sua adequação.
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A autora, por ser de Língua Portuguesa e Linguística, trabalhou com autores renomados dessas áreas, os quais vêm desenvolvendo estudos e pesquisas sobre a relação entre as Linguagens com os meios digitais. São eles: Komesu, Braga, Xavier, Marcuschi e Araújo. Além disso, buscou teóricos e estudiosos da área de Tecnologia da Comunicação e Informação (TIC), como: Coscarelli, Collins & Ferreira, Lévy, Primo entre outros.
A teoria apresentada em sua dissertação está bastante atual e é coerente com os dados analisados, como vemos em:
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A literatura sobre ensino no meio digital tem apontado que os canais abertos pela Internet permitem que o aluno seja um sujeito mais participativo, não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ao aumentar-se o potencial de interação, o aluno cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se criador e co-autor da aprendizagem. Isso muda também o papel do professor que passa a ser um guia ou facilitador ativo, ele é formulador de problemas, provocador de situações que instiguem discussões, aquele que indica percursos e busca mobilizar as inteligências múltiplas e coletivas na experiência de construção do conhecimento. (2008, p. 80)
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Questão 7
Foram obtidas respostas às perguntas formuladas pelo problema ou questões iniciais?
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Rodrigues respondeu com sucesso às suas duas questões. Ela concluiu que os blogs produzidos pelos alunos no segundo estudo indicaram que a tarefa proposta promoveu realmente maior engajamento dos alunos, propiciando a leitura de uma diversidade de gêneros disponibilizados na internet, além de gerar debates e comentários mediados pela escrita. Os dados obtidos também indicaram uma complexidade na produção escrita, o que prova que não foi um trabalho superficial, que pudesse ser enquadrado por críticos, pejorativamente, no chamado “Internetês”.
A autora, portanto, conseguiu não só responder às suas perguntas e inquietações. Na verdade, acredito, ela foi além. Pelo fato de ter relatado uma primeira experiência fracassada, Rodrigues pôde perceber que algumas falhas ocorreram em relação à forma como a tarefa fora apresentada e também em relação à proposta de execução. O fato de não ter desistido e ter remodelado a forma e a proposta de execução fez com que ela pudesse, com um amadurecimento, chegar às respostas às questões iniciais:
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Com base nas pistas e hipóteses aferidas a partir do insucesso nesta tarefa, elaborei uma categoria de blog educacional na conveniência de ajustar a funcionalidade da ferramenta para sua melhor qualificação e produção para o ensino e aprendizagem escolar (2008, p. 105) – O quadro apresentado na página 106 é muito interessante e elucidativo.
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E perceber a necessidade de resolver outros problemas:
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Se, no início deste trabalho, o interesse era provar uma hipótese que partia apenas de uma experiência docente, agora soma-se a outro objetivo que é mostrar ‘o que deve se fazer’ e ‘o que não deve se fazer’ no trabalho com gêneros digitais em sala de aula. (2008, p. 108)
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Questão 8
Qual o grau de confiabilidade das respostas obtidas? Ou seja, por que aquelas respostas, nas condições da pesquisa, são as melhores respostas possíveis?
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Posso concluir que o grau de confiabilidade das respostas obtidas é alto. Primeiro, porque a autora não se eximiu do erro inicial:
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centralizado na imagem e objetivos do professor, o blog como uma ferramenta pedagógica que possa envolver os alunos a explorar outras linguagens e outros gêneros fracassará. Essa conclusão está apoiada no que abstraí a partir deste estudo empírico, do envolvimento dos alunos, dos olhares e comentários que percebi em sala de aula, enfim, de todos os elementos identificados como aqueles que levaram ao insucesso no trabalho com blog no ensino de língua materna. (2008, p. 99)
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Segundo, porque não só conseguiu, na tentativa seguinte (estudo 2), executar o experimento a que se propôs como também ratificou suas descobertas com a sua experiência de sala de aula e a partir do embasamento teórico apresentado no estudo.
A autora ainda provou que há uma proporção de tempo para desenvolver a aprendizagem muito maior com o uso dessa ferramenta digital, pois a aula não fica restrita aos 50 minutos, tempo tradicional da hora/aula. E isso, com certeza, promove a melhoria de aprendizagem:
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Ao comparar esta atividade com uma tradicional aula de produção de texto, verifica-se que os alunos leram mais, pesquisaram mais, produziram mais, o que faz do ensino um maior significado que o aluno leva para a vida. (2008, p. 133)
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Como também é um estudo que permite a repetição do experimento por outros professores do que foi feito pela pesquisadora, pode-se acreditar ainda mais nas respostas e resultados obtidos.
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Questão 9
Há indicação da generalidade dos resultados?
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Como acabei de mostrar no final da questão anterior, o estudo feito pela professora-pesquisadora permite que a empiria desenvolvida seja repetida por professores de Língua Portuguesa, como novo recurso metodológico para o desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem através dos novos recursos tecnológicos. Nesse caso, mais especificamente, através da ferramenta digital blog: “A análise dos quatro blogs selecionados indica, para professores de língua portuguesa, que vale a pena inovar em nossas práticas de ensino” (2008, p. 153). Precisamos lembrar, no entanto, que a própria autora chama atenção várias vezes para o fato de que tecnologia não é metodologia, mas o uso que se faz dela é que promove mudanças metodológicas.
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Questão 10
Apresente a sua opinião sobre a pesquisa. Argumente.
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Gostei muito do estudo feito pela pesquisadora Cláudia Rodrigues e das constatações a que ela chegou sobre o uso de blogs como estratégia motivadora para o ensino da escrita na escola. Entretanto, achei que a autora poderia, em diversas situações/explicações ter sido mais objetiva. Ela repete várias vezes as mesmas ideias e desdobra cada parte já explicada na introdução e repetida em alguns capítulos em um novo capítulo.
Um outro problema que detectei – e que acredito que tenha a ver com o tempo final de entrega da pesquisa à banca – é que há alguns erros graves, principalmente para uma professora de Língua Portuguesa, quanto à concordância, à regência e ao uso do acento grave indicador da crase, por exemplo, em várias partes do texto. Provavelmente não houve tempo para uma revisão cuidadosa da produção escrita.
De resto, só posso elogiar, pois a pesquisa clarificou inquietações também minhas e me mostrou caminhos para desenvolver projetos em meu trabalho para desenvolver aulas mais motivadoras, através do uso de ferramentas digitais.
Transcrevo, para finalizar, um trecho da conclusão da pesquisadora que, acredito, sustenta tudo o que apresentei aqui:
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Foi constatado no presente estudo que o trabalho com blog em sala de aula oferece aos alunos uma nova maneira de produzir leitura e escrita, permitindo que ele vá além dos muros escolares. As práticas de escrita passam a ser mais dinâmicas, interativas, participativas. O acesso on-line a outros gêneros virtuais e fontes de informação instiga a extensão da pesquisa. O blog favorece a participação coletiva, formando autores, co-autores, leitores assíduos e alunos mais envolvidos com a leitura e a escrita. Para que isso ocorra, é necessário dar aos alunos maior liberdade de expressão. Essa prática pode levar ao desenvolvimento de habilidades como independência e autonomia e também favorecer o desenvolvimento da capacidade argumentativa, já que os autores do blog precisam envolver e convencer outras pessoas sobre seus pontos de vista. (2008, p. 153)
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RODRIGUES, C. O uso de blogs como estratégia motivadora para o ensino de escrita na escola. 2008. 169 f. Dissertação de Mestrado – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
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Baixe a dissertação aqui.

Sábado, 18 de Julho de 2009

Formação de professores e redes sociais - divulgue essa ideia

Li este post no blog Nepôsts - rascunhos compartilhados, por indicação da Suzana Gutierrez. Como acredito totalmente no poder das redes sociais e nas facilidades geradas a partir delas, penso que devemos divulgar e reproduzir esta ideia:
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Em vez de livros didáticos para professores, o MEC precisa produzir e divulgar redes sociais para professores, material online, possibilitando trocas de experiências.
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Leia abaixo o texto do blog citado. Os destaques em negrito ou colorido são meus.
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O governo federal anunciou hoje, 4 de julho, que vai distribuir livros didáticos para qualificar melhor os professores brasileiros .
Nada contra investir na educação, mas é o preciso refletir sempre sobre a eficácia de qualquer ação governamental nesse estratégico setor.
A distribuição do livro impresso é cara.
E mais: o professor continuará sem trocar experiência com outro professor.
Parece que para o MEC ainda não existe Internet!
Não seria mais eficaz uma rede social – do tipo orkut, um orkut didático, com os livros disponíveis em PDF, áudio e filmes produzidos por eles,
sujeitos a comentários, notas, etc?

Seria, aliás, uma forma de colocá-los em sintonia fina com o universo dos alunos, diminuindo esse fosso geracional-tecnológico.
Note que criar uma rede social é um projeto relativamente barato, deixando o dinheiro dos livros para garantir mais e mais acesso dos docentes à Internet.
A iniciativa do MEC, a meu ver, é típica desse momento de ruptura informacional, no qual muitos ainda estão, infelizmente, projetando o futuro com a cabeça na era do Livro.

Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Educação e tecnologia: trilhando caminhos

Lynn Alves disponibilizou seu livro cujo título dá nome a esta postagem, para ser baixado e lido por nós, internautas. Descobri isso no Blog de Notas. Baixei e gostei. Há vários artigos, de autores diversos, muito bons.
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Para ter acesso ao livro, clique aqui.

Diconário online

Outra boa descoberta: ferramenta importante e muito útil. Peguei no site Futuro Professor.
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O Dictionary.com é um dos maiores e mais completos dicionários em inglês da internet. É uma ótima ferramenta para o professor de língua estrangeira indicar a seus alunos.
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Esse dicionário além de ter definições bem completas, mostra a pronúncia da palavra por transcrição fonética e por áudio.
O site também disponibiliza uma enciclopédia (na aba “Reference”) e traduções da palavra em diversas línguas (em “Translate”), inclusive em português (brasileiro e europeu).

Lançamento virtual - livros online

Gostei da novidade. Bons ventos vêm trazendo novas possibilidades de leitura. Acabei de ler sobre este lançamento no blog Trilha Literária.
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O escritor e poeta Rodrigo Capella lançará, virtualmente, três obras inéditas pelo Clube de Autores. São elas:
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@ntologia online
Loucuras de um escritor
Dicas para escrever, publicar e vender um livro
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O lançamento virtual ocorrerá dia 04 de agosto, das 18h30 às 20h, com chat, power point e vídeo, no endereço:

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

A internet pode ser importante no desenvolvimento emocional dos adolescentes

Estou lendo o livro Os jovens e a mídia, de Sharon Mazzarella e colaboradores, Ed. Artmed.
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Gostei muito de conhecer, através dos primeiros capítulos, o histórico da entrada da TV na casa das pessoas e ver como se desenvolveu todo o processo de marketing em cima das crianças, tornando-as, cada vez mais, consumidoras vorazes.
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Vou transcrever hoje aqui, no entanto, uma outra parte: um trecho que mostra uma grande vantagem da internet para o desenvolvimento dos adolescentes. Achei muito interessante a constatação feita, pois normalmente vemos que ela tem fatores positivos para a educação, se bem usada pelos professores/mediadores, mas ainda é muito considerada um "mal necessário". E mais: o anonimato na internet é, na maioria das vezes, visto como algo terrível para permitir atitudes ilegais, imorais ou, no mínimo, desrespeitosas
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Vejam o que Susannah Stern e Taylor Willis dizem no capítulo 14 do livro:
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A capacidade que os jovens têm de se reatualizarem constantemente nas suas publicações on-line é particularmente interessante, já que as páginas pessoais e os blogs podem ser atualizados tão frequentemente quanto se desejar e porque podem ser produzidos anonimamente. Especialmente durante a adolescência, quando dizer determinadas coisas, vestir determinadas roupas e assumir determinados relacionamentos pode ter consequências graves, os blogs e páginas pessoais podem possibilitar que os adolescentes se sintam mais livres para expressar suas ideias, tratar de assuntos-tabus e inaceitáveis e experimentar diferentes estilos de autoapresentação. A maioria dos psicólogos concorda que falar é significativo para o desenvolvimento saudável dos adolescentes, mas que encontrar espaços para se engajar na autoexpressão tem sido tradicionalmente difícil. A internet aparece para oferecer um novo ambiente transmissor. (p. 263-264)

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Do que gostam os adolescentes na era digital?

Li este post no blog da Renata Leal, por indicação de Tito Morais e Prof.Michel, no Twitter.

Transcrevo abaixo o texto muito interessante da Renata, os destaques de leitura são meus.
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Quase não se fala em outra coisa desde que a Morgan Stanley divulgou os resultados de um estudo encomendado a um estagiário de 15 anos na Inglaterra. Matthew Robson pesquisou com seus amigos e colegas para descobrir os hábitos dos adolescentes.
Os resultados da pesquisa são bem interessantes e devem ter grudado uma pulguinha atrás da orelha dos executivos mais interessados nos consumidores futuros. Pelo que se vê, os resultados não ficam longe do padrão adolescente brasileiro – e, de fato, do padrão mundial, com pequenas variações.
Matthew Robson afirma que a galera que tem sua idade nunca consumiu tanta informação dos meios digitais como agora – algo que poderíamos esperar, realmente. O detalhe é que eles consomem de forma bem diferente dos adultos. Pode esquecer jornais, outros meios impressos e rádio (a única exceção são os jornais gratuitos distribuídos no metrô e em locais movimentados). Os nativos digitais usam a internet para tudo.
É pela internet que eles ouvem música – algo que fazem com tanta frequência que nem sabem quantificar. Escutam tanto no computador quanto em tocadores e no celular. A variação aí depende da renda da família: os mais ricos têm iPods e os menos ricos usam o celular como tocador.
Eles trocam muita música – coisa que os jovens adultos também fazem – e se recusam a pagar por ela. Os que usam iPods ainda compram alguma coisa pelo iTunes, mas, em geral, baixam tudo em torrent mesmo. É a via mais fácil, rápida e de qualidade. Pelo Bluetooth dos celulares, os adolescentes também redistribuem as canções aos amigos. Com isso, ouvem apenas as músicas preferidas – e não as que as rádios querem que eles ouçam.
Outro ponto curioso sobre as músicas é que os adolescentes pagam – e sem reclamar tanto – por shows. Muitos podem não ter comprado um único CD na vida (coisa que eu também não faço há anos), mas topam gastar as economias para ver seus ídolos ao vivo. Faz todo sentido.
Algo que me surpreendeu nos resultados da pesquisa é que os adolescentes não baixam tantos filmes. Às vezes eles preferem comprar DVDs piratas em camelôs. A justificativa é a (geralmente ruim) qualidade dos filmes baixados pela web.
Se não baixam filmes, os adolescentes vão muito ao cinema, sobretudo enquanto pagam menos. No nosso caso brasileiro, a meia-entrada permanece enquanto a pessoa estiver estudando.
Os jovens adoram as redes sociais e passam muito tempo navegando por elas. Gostam, principalmente, de trocar mensagens e precisam ver e ser vistos. Por isso mesmo, o interesse deles pelo Twitter é menor que o dos adultos (o que já tínhamos visto em outras pesquisas de perfil dos usuários do site).
Os adolescentes também assistem bastante à TV, especialmente quando encontram um programa mais interessante (como os seriados). Os meninos ainda assistem a mais TV que as meninas porque costumam acompanhar mais esportes. Boa parte assiste a canais pagos, mas o dinheiro sai do bolso dos pais. Alguns aproveitam recursos de TV na internet (como é o caso do BBC iPlayer) para ver programas em horários alternativos. Eles também não gostam das propagandas tradicionais e não sentem que são o alvo delas. Por isso, mudam de canal ou fazem outras atividades durante os intervalos.
Os celulares são tudo para essa galera: 99% deles têm telefones. Preferem os de valor intermediário e geralmente ficam dois anos com o aparelho. Só trocam quando ganham um novo dos pais, geralmente no aniversário. Gostam dos que tocam música, têm tela sensível ao toque e podem se conectar à internet – mas não querem pagar um absurdo por ela, por isso preferem quando o celular tem wi-fi.
Nos games, os adolescentes preferem o Wii, seguido pelo Xbox e pelo PS3. Os consoles são usados também para conversar pela internet, uma função que poupa os créditos do celular e da conta de telefone fixo das casas.
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O que devemos esperar dessa geração que hoje tem 15 anos?
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Estamos diante de uma mudança radical de consumo? Com pessoas que não leem jornais e revistas que não sejam gratuitas, as mudanças na mídia escrita prometem ser consideráveis. E o rádio, tende a falência? Os modelos de entretenimento já estão mudando e não adiantará fincar o pé na velha venda de CDs e DVDs. Pelo jeito, novos tempos vêm por aí.
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P.S.: (No Segundo Caderno do jornal O Globo de sexta passada, há uma reportagem sobre a situação das gravadoras em relação à cultura da Web: "Musical digital 2.0 - gravadoras se rendem à cultura da Web e começam a fazer as pazes com o século XXI".)
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A íntegra do resultado da pesquisa (em inglês) está abaixo.
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How Teenagers Consume Media

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

E-POEMAS. Você conhece?

Tenho me deliciado com as descobertas dos novos recursos tecnológicos. Minhas leituras atualmente são todas técnicas, referentes a essas buscas. Não consigo me afastar, no entanto, da paixão pela poesia.
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Ler poemas é uma verdadeira terapia!
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Você já ouviu falar em e-poemas e em tropicaligramas?
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Ferreia Gullar, por exemplo, produziu alguns e-poemas em seu site e Geraldo Carneiro tem vários tropicaligramas muito legais. Não deixe de conferir esses sites.
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Se você conhecer outras produções semelhantes, por favor, envie-me.

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Smile - Chaplin - Michael Jackson

Gosto muito dessa música. Quando escutei outro dia no tributo a Michael Jackson me emocionei. A versão brasileira interpretada por Djavan também é maravilhosa.
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Poeme-se com Paulo Henriques Britto: "O prestidigitador"

Paulo Henriques Britto, em “O prestidigitador” (= ilusionista), apresenta a relação do poeta com o papel em branco a sua frente. Há frio na barriga, dificuldade para quebrar a brancura do papel, apesar de o eu-lírico ser um prestidigitador, isto é, alguém que tem o poder de iludir com as mãos (as mãos que escrevem os versos).
Mesmo que ele “mate” a primeira página, arrancando-a, não ficará nenhum vestígio, nenhuma prova desse “assassinato”, ainda haverá outras noventa e nove, para que ele iluda o leitor – ou seja iludido – através de seus versos.
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O prestidigitador
Paulo Henriques Britto
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Este papel que se oferece virgem
ao bel-prazer da pena e tinta
é todo teu, só teu, como não é,
nem nunca foi, a tua vida.
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A gozosa vertigem dos começos –
esse friozinho bom no estômago –
aqui encontra lastro, ainda que tênue,
na realidade tão incômoda.
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E se esta página inaugural
negar-te a façanha de um verso,
um gesto rápido há de restaurar
a virgindade do caderno.
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As vértebras flexíveis da espiral
não vão guardar nenhum vestígio
(como fazem as lombadas traiçoeiras)
deste pequeno infanticídio.
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Somente a nova página primeira
testemunhou a recaída.
Tenta outra vez: este papel, etc.
(Restam noventa e nove ainda.)
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Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação - Vani Kenski

Acabei de ler o livro cujo título e autora nomeiam esta postagem.
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Inicialmente, apesar de ter destacado alguns trechos que considerei importantes, dei continuidade à leitura por simples determinação. Havia começado o livro, iria terminá-lo. Não que o texto não fosse bom. O problema era que Vani Kenski, pesquisadora que admiro por seus artigos publicados em revistas Qualis A, não estava me dizendo nada que já não soubesse.
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Resolvi parar e voltar à apresentação para ver se tinha deixado passar alguma informação que fosse importante para aquela leitura. Então vi a quem se destina o texto:
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Escrevi este livro pensando nos jovens leitores, em seus professores e nos demais profissionais de diferentes áreas que se interessam pelo tema atual, da relação entre educação e tecnologias'. (p. 7)
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Pronto. Situei-me melhor na leitura. Olhei-a, então, não com um olhar de quem espera coisas muito novas para quem já vem estudando sobre o assunto, mas como alguém que pode precisar de subsídios para levar o tema para colegas que ainda não convivem com essa questão ou não a aceitam.
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Dando continuidade ao texto, percebi como esse livro é importante para cursos de formação de professores e colégios que desejem promover atualizações para seus profissionais. Como tudo que leio, via questões com as quais convivo e que tenho de enfrentar no meu dia a dia.
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Para quem trabalha com cursos de formação de professores, o livro deveria ser trabalhado com os alunos, até porque, ao final, apresenta questões para serem debatidas. Enfim, deixo aqui transcritos uns trechos que considero interessantes:
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Para Lyotard (1998 e 1993), um grande filósofo francês, o grande desafio da espécie humana na atualidade é a tecnologia. Segundo ele, a única chance que o homem tem para conseguir acompanhar o movimento do mundo é adaptar-se à complexidade que os avanços tecnológicos impõem a todos, indistintamente. (Kenski, p. 18)
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O essencial é o novo modelo de "virtualidade real" (Castells, in: Kenski) (...) A possibilidade instantânea de qualquer pessoa informar e estar informada pelos desenvolvimentos da rede é que faz a diferença. (Kenski, p. 36)
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Por mais que as escolas usem computadores e internet em suas aulas, estas continuam sendo seriadas, finitas no tempo, definidas no espaço restrito das salas de aula, ligadas a uma única disciplina e graduadas em níveis hierárquicos e lineares de aprofundamento dos conhecimentos em áreas específicas do saber. Professores isolados desenvolvem disciplinas isoladas, sem maiores articulações com temas e assuntos que têm tudo a ver um com o outro, mas que fazem parte dos conteúdos de uma outra disciplina, ministrada por um outro professor. (Kesnki, p. 45)
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As mudanças contemporâneas advindas do uso das redes transformaram as relações com o saber. As pessoas precisam atualizar seus conhecimentos e competências periodicamente, para que possam manter qualidade em seu desempenho profissional. (Kenski, p. 47)
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A escola da aprendizagem é muito diferente da escola do ensino. A escola da aprendizagem precisa de novos espaços, de outros tipos de temporalidades, de outra organização dos grupos de alunos e professores, de outras propostas pedagógicas, essencialmente novas e que se adaptem a diferentes formas e estilos de aprender de todos os participantes: professores e alunos. (Kenski, p. 109)
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Enfim, transcrevi aqui algumas poucas passagens, mas indico a leitura para todos aqueles que estão iniciando nessas questões e têm interesse em aprender.
Kenski, ao final do livro, como já disse, apresenta algumas questões que podem ser discutidas e trabalhadas em grupos de estudo ou em salas de formação de professores. Além disso, há um glossário com todos os termos importantes dessas novas tecnologias, que não podemos deixar de saber.
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KENSKI, Vani Moreira. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. Campinas, SP: Ed. Papirus, 2007.

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

COMO ESTÃO AS ESCOLAS HOJE EM RELAÇÃO ÀS TICs?

Posto aqui parte de um texto sobre a entrada das TICs na escola, que apresentei em uma disciplina do Mestrado em Educação, na PUC-Rio.
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A integração da internet nas práticas pedagógicas ainda está no princípio de sua vida e sem bases sólidas mesmo em países ricos. De acordo com pesquisa feita em Florianópolis, em comparação com outra realizada em países europeus e o Canadá (Belloni, Net)[1], detectou-se que a instituição escolar brasileira – particular ou pública –, diferentemente dos outros países pesquisados, desempenha papel insignificante no processo de democratização da internet. Em contrapartida, talvez porque estejamos na posição de país em desenvolvimento que busca os ideais de países ricos, parece que o deslumbramento causado pelas inovações tecnológicas em nossos jovens consumidores é muito maior que nos jovens de países, por exemplo, europeus, onde a cultura local é extremamente valorizada e mantida pelas tradições milenares. (Segundo terceiro levantamento sobre Internet no Brasil, realizado com apoio operacional do Datafolha, nosso país tem 64,5 milhões de internautas com mais de 16 anos – idade mínima para votar.[2])
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Sabemos que o uso de tecnologia por si só não faz milagres. Não podemos confundir tecnologia com metodologia. As TICs, no entanto, podem funcionar como facilitadoras ou motivadoras da aprendizagem se estiverem associadas a propostas pedagógicas consistentes e que não sejam formuladas a partir de estruturas de memorização ou de pura decodificação do código escrito.
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No contexto de uma sociedade da comunicação, na qual a base é a tecnologia de informação e de comunicação (TIC), a educação centrada na nova realidade pressupõe a inclusão do componente tecnológico. De acordo com Kenski,
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A evolução dos suportes midiáticos ampliou este desejo fundante de toda pessoa de se comunicar e aprender. Os diferenciados meios comunicacionais – da escrita à internet – deram condições complementares para que os homens pudessem realizar mais intensamente seus desejos de interlocução. Possibilitam que a aprendizagem ocorra em múltiplos espaços, seja nos limites físicos das salas de aula e dos espaços escolares formais, seja nos espaços virtuais de aprendizagem. (2008, p. 652)
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Entretanto, para que as inovações se tornem reais nas instituições educativas, tem sido necessário enfrentar dois grandes problemas: 1) a adequação das escolas para essa nova realidade (aquisição de equipamentos e de mão de obra especializada) e 2) a formação do corpo docente. Afinal, como afirma ainda Vani Kenski em outro artigo (1998, p. 61),
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o estilo digital engendra, obrigatoriamente, não apenas o uso de novos equipamentos para a produção e a apreensão de conhecimentos, mas também novos comportamentos de aprendizagem, novas racionalidades, novos estímulos perceptivos.
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Infelizmente, há uma grande lentidão na aquisição de novas posturas no meio educativo. Em sondagem feita em vinte escolas particulares e públicas de Brasília, Santos (2003) percebeu que, enquanto as instituições públicas dependem de políticas de governo – que nem sempre são efetivas –, as particulares informatizam suas escolas muito mais para seduzir a clientela e denotar modernidade do que por intenções didático-pedagógicas. Parece bem possível estender essa realidade à maioria das escolas das grandes cidades brasileiras.
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Para tentar sanar as diferenças sociais e promover a inclusão digital, o Governo Federal criou, em 1997, o ProInfo, Programa de Informatização das Escolas Públicas, que tem como prioridade não só criar laboratórios de informática nos estabelecimentos de ensino público, como também capacitar os professores da rede para utilizar as novas tecnologias no cotidiano escolar. Esse programa é desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância (SEED), através do Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica (DITEC), em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais. Isso significa que o governo investe nos laboratórios, mas cabe a cada Unidade da Federação introduzir o uso das TICs nas escolas, desenvolver os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs), multiplicadores de capacitação de professores e manter os equipamentos[3].
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O objetivo do governo atual é implantar até o final de 2010 laboratórios de informática em todas as escolas públicas do país. Em portal produzido por educadores de escolas públicas do estado de São Paulo, encontramos as seguintes informações e crítica:
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Desde 1997, o MEC, através do ProInfo já investiu R$ 726 milhões; e os gastos estão crescendo. Só no ano passado (2008), eles chegaram a R$ 317 milhões, ou 1% do orçamento do ministério. O percentual de escolas públicas com laboratório de informática também aumentou. Em sete anos, de 1999 a 2006, passou de 46% para 63% no ensino médio e de 8% para 19% no fundamental. O problema é que falta estrutura para que a informatização possa ajudar a melhorar a qualidade do ensino público. (Portal e-educador – grifo nosso)
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É de conhecimento geral que a existência de equipamentos tecnológicos nas escolas não é sinônimo de inclusão digital, da mesma forma que papel, lápis e livro não promovem, sozinhos, a alfabetização. Como afirmado acima, é necessário solucionar os problemas estruturais a fim de que a informatização das escolas melhore a qualidade do ensino público.
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Em conjunto com a implantação dos laboratórios, o Ministério da Educação também vem investindo em formação continuada e criação de subsídios para auxiliar os professores. O Portal do Professor e o Banco Internacional de Objetos Educacionais são sítios que disponibilizam (ou estão começando a disponibilizar) conteúdos curriculares multimídia, voltados para o processo ensino-aprendizagem de cada fase educacional.
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Tudo isso, no entanto, ainda está longe de mudar a realidade das escolas públicas brasileiras e do despreparo dos professores em lidar com as novas ferramentas. A entrada de computadores nas escolas e uma primeira capacitação de professores de nada servem para o processo ensino-aprendizagem se não houver uma mudança mais profunda na estrutura educativa e nos paradigmas de ensino. É preciso levar em consideração que a qualidade na produção dos saberes passa, principalmente, pelo papel do professor (Libâneo, 2002). Isso não significa culpar os professores pela decadência do ensino. Ao contrário, Libâneo valoriza a importância dos docentes e mostra que eles podem ser a chave para abrir as portas para um novo caminho: “a qualidade dos professores é o limite das propostas de mudança na qualidade do ensino” (Libâneo, 2002, p. 32). Precisa-se, portanto, investir massivamente na formação desse profissional que não foi – e que ainda não é nos atuais cursos de formação de professores – formado para dar aula em uma nova sociedade, interativa, tecnológica, diferente do que se conhecia até bem pouco tempo atrás. Há um grande distanciamento entre teoria e políticas públicas e a prática no dia a dia das salas de aula. Libâneo, inclusive, suspeita que parte desse descompasso entre teoria e prática provém das recentes pesquisas sobre formação de professores, que parecem não levar muito em consideração algumas condições importantes das escolas brasileiras (condições precárias de trabalho dos professores, precária formação profissional, despreparo para exercer múltiplos papéis etc.).
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O professor do século XXI tem que concretizar em sua formação que a educação não mais se faz pura e simplesmente pela transmissão de seu saber ao aluno. Muito mais que mero facilitador é a pessoa que leva outra pessoa a ‘aprender a aprender’. Por isso, não se pode temer a substituição do professor pelas TICs, a não ser o professor instrucionista, palestrante, repetidor de discursos prontos. Esse já deveria tremer na ‘corda bamba’ desde o advento da televisão, principalmente com a chegada do videocassete, hoje DVD e também Youtube, que permitem a gravação de aulas para a reprodução na hora e local em que se deseja.
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Sabemos que a mídia informa, mas não produz conhecimento por si só. Como afirmam Belloni e Gomes,
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embora o uso das TIC propicie aprendizagens novas, especialmente novos modos de aprender, ele não é suficiente, por si só, para desenvolver o espírito crítico e utilizações criativas. Para tal desenvolvimento serão sempre necessárias as mediações dos adultos e das instituições educativas (...). (Belloni e Gomes, 2008, p. 722)
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Por isso, a escola tem a obrigação de formar seus alunos para ler, pensar e criticar – essas duas últimas ações denotam a transformação da informação em conhecimento –, além de precisar ensiná-los também a produzir informação. Afinal hoje, muito mais do antes, para alçar uma posição na sociedade, é necessário saber se colocar e expressar suas ideias. Os professores têm de, com seus alunos, (re)construir a partir do que a mídia lhes oferta. Cabe, portanto, ao professor da atualidade viabilizar um processo que transforme esse excesso de informação, a que todos estamos sujeitos, em conhecimento. Paulo Freire, numa visão antecipada do que estava para acontecer com o advento das TICs, já pregava que
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quem apenas fala e jamais ouve; quem ‘imobiliza’ o conhecimento e o transfere a estudantes, não importa se de escolas primárias ou universitárias, quem ouve o eco apenas de suas próprias palavras, numa espécie de narcisismo oral (...), não tem realmente nada que ver com libertação nem democracia. (Freire, 2005, p. 26-27)
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Ao contrário do que pensam as pessoas que não têm noção do que as TICs permitem realmente fazer no processo ensino-aprendizagem, o professor, na escola da sociedade tecnológica, se torna uma peça fundamental na formação do aluno. Afinal, as ferramentas sozinhas nada podem fazer. É o que vemos hoje do lado de fora da escola: o uso se restringe ao entretenimento e à socialização através das redes sociais e de bate-papo.
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É preciso entender muito claramente isto: quem transforma tecnologia em aprendizagem, quem dá forma ao processo didático-pedagógico é o professor. Para Demo,
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as TICs não colocam em risco o professor, a não ser o instrucionista. Ao contrário, exigem tanto mais a presença maiêutica, razão pela qual a discussão tem valorizado muito noções pedagógicas socráticas (maiêutica, coach) e freireanas (autonomia/autoria) (Warlick, 2007. Sunstein, 2006). Ao final, a melhor tecnologia na escola é o professor, insubstituível, pois. (Demo, 2008)
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O professor deixa de ser o instrucionista para ser um gestor do conhecimento, o profissional que seleciona a informação e media a construção do conhecimento por parte dos alunos. Ele tem como desafio incentivar os alunos nessa viagem, nesse mundo multimídia que transcende a escola e no qual eles estão envolvidos. Precisa direcioná-los para que não seja só uma exposição à informação. O educador passa a ser o grande motivador de aprendizagem e aquele que promove a correta exploração das novas mídias.
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[1] Baseado em texto publicado no Comunic, grupo de pesquisa da UFSC:
[2] Dados expostos no blog “Vida Universitária”:
[3] Todos os dados e informações apresentados foram obtidos no Portal Inclusão Digital, do Governo Federal: http://www.inclusaodigital.gov.br.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (somente deste trecho)
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BELLONI, M.L. Os jovens e a internet: representações, usos e apropriações. Net, Grupo de pesquisa Comunic – UFSC. Acesso em 14/06/2009: .
DEMO, P. TICs e Educação. Net, 2008. In: Prof. Pedro Demo - Blog Acadêmico. Acesso em 11 de junho de 2009:
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 17ª ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
------------, P. A importância do ato de ler. 46ª ed., São Paulo: Cortez, 2005.
GOVERNO FEDERAL. Portal Inclusão Digital. Net. Acesso em 14/06/2009:
KENSKI, V. Novas tecnologias: o redimensionamento do espaço e do tempo e os impactos no trabalho docente. Revista Brasileira de Educação, ANPEd, Mai/Jun/Jul/Ago. 1998, n. 8, p. 58-71.
------------. Educação e comunicação: interconexões e convergências. Educação e Sociedade, Campinas, out. 2008, vol.29, n.104 – Especial, p. 647-665.
LIBÂNEO, José Carlos. Produção de saberes na escola: suspeitas e apostas. In: CANDAU, V.M. (org.) Didática, currículo e saberes escolares. 2ª ed., Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
PORTAL E-EDUCADOR. Net. Portal formado por educadores com vivência em escolas das redes públicas e privadas do estado de São Paulo. Acesso em 13 de junho de 2009 <>
SANTOS, G.L. A internet na escola fundamental: sondagem de modos de uso por professores. Educação e Pesquisa, São Paulo, jul./dez. 2003, v.29, n.2, p. 303-312.